Exposição Permanente
A nossa Exposição Permanente certamente é pobre no sentido monetário: o prédio é periclitante, não há goteiras e sim cachoeiras,... Faltam vitrines, falta espaço para novas vitrines, faltam recursos, falta pessoal, sobretudo a sobrevivência é incerta.
Apesar da nossa miserabilidade, este museu agrada todo mundo: o gringo e o marajoara; o PhD e o caboclo.
São eles que falam:
- Ça nést pas un musée, cést un grand voyage.
- Interessante e cheio de criatividade. As mais sofisticadas partes do mundo podem aprender aqui não somente sobre a história, mas também como apresentar e tornar interessante o nosso passado.
- Dieses Museum ist wirklich das originellste, das wir já gesehen haben.
- Eu não visitei o museu, vivi o Museu!
- Great Museum. Great Job! Thanks - I'll be back soon!
- Un gruppo di italiani di Venezia e Modena ha visitato questo museo, ne siamo rimasti entusiasti.
- C'est la banque de données la plus mecanique e vaut tous les ordinateurs.
- Eu sinceramente gostei muitíssimo do Museu do Marajó, porque eu sou marajoara, mas simplesmente não conhecia nada do Marajó.
- Todos os museus deveriam ser tan fascinantes y divertidos como el Museo del Marajó. Me lleno de alegria. Es um lugar onde um puede volver y volver y volver.
- Nunca imaginei algo com tamanho enriquecimento intelectual.
- Nunca tinha visto um museu, mas este é o melhor de todos: é mesmo pai d’égua!
O que é aquela certa coisa diferente, característica do nosso Museu que, apesar da deficiência de recursos materiais e humanos, desperta a simpatia e a aceitação dos visitantes?
É o nosso interesse pelo Homem. Em cada objeto sempre domina a preocupação de apresentar não uma peça material, morta ou, desculpem!, uma peça de museu - mas uma emanação do homem marajoara.
O Museu procura, pesquisa este Homem marajoara (sem perder de vista o homem global) e o descobre em cada peça, através da sua arte, dos seus costumes, da sua história.
E como é que funciona?
Um exemplo: a arqueologia, um acervo árido, mumificado, área de caça reservada aos especialistas com seus cálculos complicados e instrumentos sofisticados.
Vamos então a descobrir o índio, o jeito deles de pensar através do computador. Você fala tupi?
IPANEMA: (água ruim, que não presta, sem peixe).
IGARAPÉ: o caminho da senhora da água = o caminho da canoa = o riacho.
IACITATÁ (no Marajó é nome de mulher): ia = fruta, ci = mãe, quer dizer a lua que faz desenvolver os frutos; mais tatá = foguinho, então iaci-tatá é a estrela, que de fato é o foguinho da Lua.
Você já imaginou Cachoeira do Arari de 1.000 anos atrás?
Aqui nos temos retrato elaborado pela equipe de Ana Roosvelt.
A forma de apresentação também agrada, porque a gente já está cansada, não suporta mais o peso desta invasão tecnológica, deste mecanicismo, tantos botões, tanta afobação, tanta ansiedade.
Aqui o visitante faz tudo brincando, sobretudo não descobre somente coisas e sim o homem!
Só vendo a pescaria da saúde!
Não por acaso a gente diz que estamos procurando o homem que está embutido e escondido em cada peça.
Neste sentido o museu é muito rico.
E qual é este homem marajoara?
• Vaqueiro
• Pescador
• A comunidade
• O Homem revelado no seu íntimo (as festas e seus segredos)
Sobretudo a sua cosmologia à qual continua agarrado: será que os americanos pisaram na Lua?
O reconhecimento dos visitantes foi confirmado pelo prêmio do Concurso Nacional Rodrigo Melo Franco de Andrade, que o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Nacional) outorgou ao MUSEU DO MARAJÓ em 1997 na categoria Proteção do Patrimônio Natural e Arqueológico, com a motivação da valorização e resgate da história cultural e natural da Ilha do Marajó, no Pará.
Giovanni Gallo
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